7. Urubutingas

O gosto pela expressão verbal e visual.

Imagem dos urubús, reproduzida de uma pintura do artista Adrien Taunay

Urubus brancos ou urubutingas
Pintura de Adriano Taunay
A imagem dos urubús, reproduzida de uma pintura do artista Adrien Taunay, primeiro desenhista da "Expedição Langsdorff" oferece o contraponto à narrativa verbal de Hércules Florence, segundo desenhista,ao utilizar apenas as palavras para transmitir suas informações sobre "um dos mais belos pássaros do Brasil".

Um texto exemplar

Urubutingas

"Os caçadores trouxeram dois urubus brancos ou urubutingas, um dos mais belos pássaros das florestas do Brasil: o mais formoso sem dúvida em cores e plumagem; o aspecto, porém, e os hábitos são de legítimo corvo. É do tamanho de um ganso. Tem olhos grandes e redondos; íris de brilhante alvura; pálpebras vermelhas; bico como o dos urubus. Comprido, recurvado e de um alaranjado vivo. Abaixo do bico, expande-se uma carúncula carnosa que cai de um lado e de outro, de cor também alaranjada. Desde o olho até esta carnosidade, a pele nua puxa para roxo. Acima da cabeça há uma parte completamente desnudada, rubra, com penazinhas tão pequenas e separadas que parecem pelos. Por baixo dos olhos e do pescoço saem carúnculas unidas e compridas, de um escuro claro e que, em forma de arco, vão-se ligar acima da nuca, unindo-se então num filete carnoso que desce por trás do pescoço até a base do peito. É vermelho-claro em cima, preto no meio e amarelo embaixo. As cores da cabeça são realçadas por um fundo negro de ébano, que bem se pode chamar a moldura. O pescoço é totalmente desnudado de penugem. A pele parece pele de luvas: é amarelo vivo na frente, cor que cambia insensivelmente para vermelho carregado. Esse pescoço nu e tão bem colorido sai de um colar de penas acinzentadas que parecem vir das costas e se reunem no peito, a formarem novamente uma linha de separação que se esbate pouco acima da barriga. O colar semelha um ornato de mulher. O resto das penas é branco, exceto nas extremidades das asas que são pretas. Os pés são brancos. Desculpem-me esta descrição, que não é de naturalista. Creio que no seguir deste despretencioso diário nenhuma outra farei".

(Hércules Florence)